quarta-feira, 28 de maio de 2008

Bom pró câncro da próstata



A notícia já tem dias, mas tenho de me referir a ela:

Sete membros da comissão de praxes da Escola Superior Agrária de Santarém foram condenados em Tribunal por excessos cometidos durante as praxes académicas em Outubro de 2002.

A aluna que fez a queixa foi barrada na cara com excrementos de porco e obrigada a fazer o pino com a cabeça em cima de um penico com mais excrementos do mesmo animal.

O Tribunal considerou que houve "coacção" e "ofensa à integridade física da aluna".

Os advogados dos condenados estão a pensar em recorrer, calculo que refutando a "ofensa à integridade física". E, continuo eu a calcular, devem ter estudos a comprovar que excremento de porco até deve tonificar a pele.
Mesmo em relação ao pino, deve haver um parecer científico qualquer que comprove que estarmos de cabeça para baixo com um balde de merda de porco a amparar-nos a queda é bom para o cérebro e para a capacidade de memorização, algo tão importante para um estudante universitário...

A candidatura ao Prémio Nobel da Medicina deverá ser o passo seguinte!

Os condenados, por terem um cadastro limpo - ou seja, nunca ninguém antes se tinha queixado das qualidades terapêuticas do excremento de porco - escaparam à prisão e terão apenas de pagar multas entre os 640 e os 1.600 euros.

A advogada da queixosa mostrou-se satisfeita por esta ser, passo a citar, uma «sentença pedagógica».

Permita-me discordar, ilustre advogada. Pedagógico mesmo era mandar estes e outros meninos cumprir a pena na cadeia. Ao que consta, nas prisões é que há umas praxes muito pedagógicas... E até são boas para a prevenção do cancro da próstata.

12 comentários:

Anónimo disse...

Ora muito bom dia Sr. Jorge. Gostaria de deixar o meu testemunho sobre este assunto. É que por acaso até tenho um bom entendimento sobre a matéria...De facto não são conhecidos milagres terapêutucos sobre excremento de porco. No entanto, posso garantir que quem sujeita os outros à medicina "bostilenta" mais não tem dentro da mioleira senão bosta e por isso mesmo demora uns bons aninhos a completar os cursitos.
Haja saúde.

Jorge Pessoa e Silva disse...

... saúde e sentido de humor. Não gostaria de saber que estes caloiros começam o dia a rezar... «da bosta de porco nos livrai hoje...» E subscrevo o que disse, com inusitada lucidez.

Abraço amigo

Pedro Eduardo da Maia disse...

Como aluno de faculdade há coisas na praxe que não me fascinam propriamente.

Eu próprio no meu ano de caloiro frequentei a praxe mas na minha faculdade há dignidade a praxar e não somos sujeitos a estas coisas.

Contudo lá as coisas que não gostam têm a ver com pressões psicologicas e ideais mais do que com... badalhoquices.

É reprovável que aconteçam cenas destas, mas ao mesmo tempo é reprovável que hajam sentenças destas :S

Jorge Pessoa e Silva disse...

Caro Pedro, eu também fui praxado e, felizmente, quase tudo não passou de brincadeiras dentro dos limites da sanidade mental. Só não achei piada especial à parte em que tive de atravessar um cordão de mais de cem metros com colegas a darem valentes "calduços no cachaço" (no meu tempo era assim que se dizia, não sei se a expressão caiu em desuso). Aguentei estoicamente, mas no final, se tivesse um camião TIR à mão era capaz de me ter desgraçado...
Depois, nas praxes chateia-me tanto a violência quanto a tremenda falta de imaginação. E peço desculpa a todas as comissões de praxes que conseguem aproveitar este ritual, que até aprovo, de forma imaginativa e com real preocupação de integrar os novos alunos
Abraço, pedrP

Joana Dalila Santos disse...

Felizmente as minhas praxes, na altura, foram bem saudáveis e divertidas! Foi uma semana sensacional e não percebo porque não há-de ser assim sempre.*

Miguel Barroso disse...

Enfim, é a merda que temos. Merda de praxes, merda de alunos, merda de professores e merda de tribunais. Quem se deixa praxar é problema pessoal. Minha opinião: a mim não me praxam.

Jorge Pessoa e Silva disse...

Sorte a tua Joana. Porque as praxes deveriam ser imaginativas e divertidas. Os que não têm imaginação e são violentos é que me preocupam, porque é suposto essa malta ter ideias para melhorar o País. Não, literalmente, ideias de merda. Porque a se a moda pega, o que farão no curso de engenharia mecânica? Prender a cabeça num torno?

Jorge Pessoa e Silva disse...

Miguel, eu confesso que não escapei, fui apanhado de surpresa. Mas enfim, nem foi mau de todo. Como era curso de direito, devem ter achado caro atirar com códigos civis à cabeça dos alunos. Acho é que os caloiros deveriam ter a oportunidade de terem uma semana em que praxavam os... "praxadores"

Jacinta Correia disse...

Eu cá fiquei por umas meras pinturas no rosto no dia da matrícula, isto porque só comecei a ir às aulas depois das praxes acalmarem, e na semana académica aproveitava sempre para ir à praia (bendita Universidade do Algarve)ou passear. Nunca achei as prazes nada creativas, nada úteis para a integração dos caloiros...
Quanto à praxe em questão, é lamentável que realmente a criatividade, o bom senso e o respeito pelo outro não se tenham sequer vislumbrado. Quanto à sentença... bem, não era certamente a filha do Juíz. Bj

Jorge Pessoa e Silva disse...

Que inveja, Jacinta, poder trocar uma praxe por um bom mergulho nas quentes águas algarvias... Sempre ficavas com a pele bronzeada e não era com excremento de porco...

Anónimo disse...

Tipo e a rapariga vai tar a meter as mãos em merda quase todos os dias da sua vida profissional... Há praxes e praxes... Os homenzinhos tb nao devem ter feito isto pela 1ª vez... imagino que deve ser tradicao naqueles cursos agrarios... Não e pa mim realmente :D

Jorge Pessoa e Silva disse...

Há tradições e tradições e algumas deviam deixar de ser o que eram. Eu apenas acho que a mente de quem se dá ao trabalho de recolher excrementos de porco para uma praxe deve ser estudada por profissionais habilitados