domingo, 8 de agosto de 2010

Aventuras em Maputo

Para os milhares de leitores assíduos deste blog que estranharam a minha ausência (convém começar com uma nota moralizadora mesmo que manifestamente exagerada), aqui vai a justificação: estive duas semanas em Maputo e só hoje regressei a Portugal.

Como correu? Muito bem. Adorei Maputo, a simpatia dos moçambicanos, tudo correu pelo melhor, menos ter engordado dois quilos, mas ninguém me manda exagerar só porque havia buffet quase todos os dias...

Dança tradicional
À chegada a Maputo fiquei muito sensibilizado com um grupo de mulheres com vestimentas tradicionais, dançando e cantando à minha chegada e de toda a delegação portuguesa que foi participar nos Jogos da CPLP. Fiz questão de agradecer do fundo do coração e estranhei que a forma dos moçambicanos agradecerem o agradecimento fosse a rir... Depois percebi que a dança não era para mim, mas para um grupo de missionários que ia no mesmo avião que eu...

Quase atropelado
No primeiro dia ia sendo atropelado, para mais não estava à espera. É certo que ia no meio da estrada, para me desviar de um buraco enorme no passeio, mas estava tranquilo porque não vinha nenhum carro de frente. De repente, aparece um carro a buzinar nas minhas costas e dei um salto mesmo a tempo de evitar o atropelamento. Ainda estive para protestar, mas depois pensei que convinha ter-me lembrado que o trânsito em Moçambique é ao contrário...

Ofendi um empregado
Cheguei ao hotel e, como estava com fome, pousei as malas e fui logo almoçar. Vi um esparregado com bom aspecto - até tinha pedacinhos de lagosta - e servi-me generosamente. Gosto muito de esparregado. O empregado viu-me a comer com tal satisfação que me veio perguntar que tal estava a comida. Respondi que o esparregado estava uma delícia e ele ficou com cara de ofendido, elucidando-me que estava a comer Matapa, um prato tradicional moçambicano, com folhas de mandioca, amendoim, coco e pedaços de marisco. Pronto, comecei a minha experiência por desrespeitar uma tradição gastronómica moçambicana e para compensar até repeti a Matapa e comi com a cara mais feliz do mundo para o empregado ver...

Não tenho jeito para negociar
Passagem obrigatória pela feira de artesanato que aos sábados decorre em Maputo. Definitivamente, não tenho jeito para negociar. Quis comprar umas kapulanas e umas pinturas e o vendedor quase se chateia comigo porque não estava a regatear. Aliás, eu perguntei o preço e ele nem me deixou dizer se achava caro ou barato. desafiou-me logo a fazer o meu preço também. Percebi que ele queria mesmo ali um bom braço de ferro e passou a olhar-me de lado quando tive a infeliz ideia de dizer que queria pagar o preço justo... Acabei por não fazer negócio...

Que espectáculo!
Conheci pessoalmente um amigo moçambicano com quem só falava por telefone. Ele, bom anfitrião, quis levar-me a conhecer a noite de Maputo. Entrei num bar-discoteca e algo não batia certo. É que achei que o calor que se fazia sentir não justificava, por si só, a indumentária, ou falta dela, de algumas mulheres. Por outro lado, estranhei que tivesse causado tão bom impacto, já que de trinta em trinta segundos tinha uma mulher a dar-me um abraço e beijinhos e a convidar-me para beber algo ou para ir conhecer outras zonas de Maputo. Lá fui declinando, amavelmente, até começar o espectáculo da noite: um show de strip que, sem ironias, me impressionou deveras e foi do melhor do muito pouco que já vi. Porque misturava strip com ginástica e acrobacias sobre dois varões colocados na horizontal a três metros de altura. Muito homem ficou com torcicolo e não deixa de ser estranho ver uma mulher nua, em acrobacias, três metros acima de nós... Mais do que stripers, elas são também acrobatas e não estranha a musculatura que ostentavam. Bati palmas, paguei a bebida e saí. O meu amigo achou estranho que tivesse saído sem ter provado as delícias moçambicanas, mas para gaffe 'gastronómica' já bastava a de ter confundido esparregado com matapa...

Viagem de avião
E porque este post já vai longo, termino com a certeza que foram duas semanas muito bem passadas, numa cidade arejada e com vários pontos de interesse. E os moçambicanos são pessoas muito afáveis. Pena a viagem entre Maputo e Lisboa não ter corrido pelo melhor. Além do voo ter durado quase onze horas, não aconselho a ninguém um desarranjo intestinal num avião de longo curso. É que para além de ter de incomodar constantemente o vizinho do lado sempre que me levantava, há sempre gente na fila para a casa de banho e esta é tão exígua que quase nem tinha espaço para... limpar o rabo.
Finalmente: deixei Maputo no Inverno e com bom tempo; cheguei a Lisboa no Verão e a... chover.

10 comentários:

Miss Joana Shag well disse...

:)))


Beijos

**laura** disse...

eheheheh uma viagem cheia de aventuras. :) Seja bem aparecido! :) **

Canuca disse...

Pois...os carros não costumam avisar quando nos vêm atropelar, são uns chatos lol...deve ser por isso que já fui atropelada duas vezes, só buzinam já em cima do acontecimento lol :) Beijinho e ainda bem que estás de volta...

P.B. disse...

Olá Jorge...


Foram umas aventuras e tanto :)
Parece que foi bem divertida a viagem ;)

Beijinhos

Jorge Pessoa e Silva disse...

Joaninha


:)))))))

Beijinhos

Jorge Pessoa e Silva disse...

Olá Laura :-)


É verdade, mas eu confesso que tenho queda para que as aventuras aconteçam...rs..rs..

Beijinhos e obrigado

Jorge Pessoa e Silva disse...

Olá Canuca

Atropelada duas vezes? Credo, amiga, isso já não é sina é perseguição mesmo... Mas ali a culpa era minha, que me esqueci mesmo que em Moçambique se conduz pelo lado esquerdo da estrada...rs..rs.. Tanto que nem sequer tentei conduzir que me ia estampar seguramente...

Beijinhos

Jorge Pessoa e Silva disse...

Olá P. B.


Fui muito giro e quando uma viagem fica monónota eu arranjo maneira, pela minha distração ou ingenuidade, de a tornar inesquecível...rs..rs...

Beijinhos

Cris... disse...

Só tu, amigo, só tu!
lololol

Bem vindo (com ligeiro atraso da minha parte)

Beijão

Jorge Pessoa e Silva disse...

Olá Cris :-)

Desculpa também o meu atraso, tenho andado ausente.

Beijinho grande e de saudade