terça-feira, 13 de abril de 2010

Leandro, inquérito e alheiras...

Durante anos habituámo-nos à maneira como os responsáveis agiam sempre que algo corria mal: um «rigoroso inquérito», com o «rigoroso» bem sublinhado e carregado nos erres para que não sobrassem dúvidas. Depois, era só esperar que o assunto saísse da agenda mediática e de conclusões... nicles.

Depois, passou-se a uma segunda fase, ainda em vigor: anunciam-se inquéritos e até se chegam a conclusões divulgadas em tempo útil. Mas a emenda não é melhor do que o soneto, e passo a explicar:

No caso do Leandro, o menino que se atirou ao Tua, o relatório do inquérito divulgado pelo Ministério da Educação afasta o cenário de que a criança de 12 anos fosse vítima de agressões frequentes na escola e não estabelece qualquer ligação entre factos ocorridos no recinto escolar e o afogamento no rio Tua, a 2 de Março.

Partindo do princípio que o inquérito foi feito com seriedade, tenho algumas dúvidas:

1 - Porque o Ministério da Educação não apresentou queixa crime contra as dezenas de pais e alunos da escola que, nas televisões, rádios e jornais, apareceram a dizer que o Leandro era agredido com frequência?  Pelo resultado do inquérito, estas pessoas deveriam estar a mentir, logo, têm de ser responsabilizadas por difamarem a escola...
2 - Porque razão não se apresentou queixa crime contra os pais do Leandro? Não só disseram que o filho era saco de pancada como esteve no hospital internado devido a agressões... Já agora, processem o hospital, já que o rapaz só lá deve ter estado para ter direito a uns dias sem aulas e os médicos deram cobertura a esta manifestação indigna de 'gazetismo'...
3 - Eu compreendo os senhores que fizeram o inquérito: se uma criança anuncia alto e bom som que está cansado de apanhar e que se vai atirar ao Tua, foge da escola e... atira-se ao Tua, o que é que uma coisa tem a ver com a outra?
4 - Qual é o conceito de agressões frequentes por parte dos inquiridores?

4 comentários:

provocação disse...

É uma hipocrisia, querem meter na cabeça das pessoas que um miúdo que nem sabia nadar se atirou ao rio convencido que voltava após ter manifestado desejo de morrer e se ter encaminhado nesse sentido. Hipócritas.

**laura** disse...

Olá Jorge!
Tenho andado ausente... na verdade, sem grande inspiração para escrever o que quer que seja no blogue e sem tempo para os comentários, embora venha cá cuscar regularmente.

O caso do Leandro mexeu bastante comigo. E o texto que escreveste no outro blogue, no teu lado mais sério, fez-me tanto sentido. Aquela zanga que expressas é a zanga que senti também... é inadmissível que esta situação passe assim e seja esquecida, que o Leandro seja esquecido e que os inúmeros "Leandros" que temos nas escolas continuem a sofrer abusos, humilhações, perseguições... enquanto os professores, os auxiliares, os pais, a comunidade, os colegas assobiam para o lado.

Um beijinho Jorge :)

Jorge Pessoa e Silva disse...

Provocação

Apaludo de pé.

Beijinhos

Jorge Pessoa e Silva disse...

Viva Laura

Beijinho grande, obrigado, eu sei o quão difícil é tantas vezes estarmos presente

No mais, concordo contigo a cem por cento

Beijinhos