Tive acesso a um questionário altamente científico (pelo menos é o que garante a revista cor de rosa), para saber se sou ou não uma pessoa que gosta de arriscar. Para mim, estar disponível para responder às 10 perguntas seria mais do que suficiente para ficar provado que gosto de arriscar, mas os autores do estudo precisam de contabilizar pontos para ver se eu gosto ou não de arriscar. Ora aqui estão as perguntas e as respostas que dei:
1 - Mente, por vezes, para ver se pega e para poder, dessa forma, observar a reacção dos outros?
- Sim. Às vezes digo ao meu filho: olha que a mousse de chocolate sabe mal, dá ao pai que eu trato disso. Não devo ser convincente. O puto ri-se e mostra os dentes pretos e um bigode do tamanho do mundo...
2 - Desagrada-lhe viajar com pessoas estranhas?
- Já viajei no mesmo comboio de um tipo que dizia que era a reincarnação de Jesus Cristo. Era uma pessoa muito estranha e até gostei, foi divertido...
3- Joga à lotaria ou pratica outros jogos de azar?
Lotaria nunca, mas jogos de azar já joguei, nomeadamente cada vez que... me apaixonei.
4 - Investe o seu dinheiro na bolsa, mesmo quando a situação lhe suscita algumas dúvidas?
A situação nunca me suscita dúvidas. Não tenho dinheiro para investir, ponto final...
5 - Os desportos arriscados atraem-na ao ponto de praticá-los?
Claro. Existe um desporto muito giro, que se chama Berlimsujo. O que é? É comer bolas de Berlim de enfiada sem sujar a camisa com creme... Bueda radical, digo-vos!
6 - Teria medo de voar num parapente?
Não. Quanto muito de cair...
7 - Poupar dinheiro parece-lhe desnecessário, pelo menos nesta fase da sua vida?
Poupar dinheiro parece-me impossível...
8 - Tem um plano de reforma?
Tenho: trabalhar a vida toda...
9 - Já tem manifestado os seus sentimentos amorosos mesmo com muitas possibilidades de os ver rejeitados?
Até já manifestei mesmo coprrendo o risco de serem... correspondidos...
10 - Prefere um trabalho seguro a um outro melhor, mas incerto?
Nos tempos que correm, prefiro um trabalho...
E pronto, despois de responder ao questionário, fiquei com a certeza que sou uma pessoa que adora o risco. Responder a este inquérito no local de trabalho é correr mesmo riscos...
terça-feira, 2 de março de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Obrigado TMN
Aconteceu-me hoje o que já terá acontecido a muita gente: peguei no telemóvel, enganei-me e liguei para o meu próprio número...
Claro que apareceu o sinal de impedido (foi aqui que dei pelo erro) e até aqui tudo bem.
Uns segundos depois, a TMN mandou-me uma mensagem a avisar que aquele número «tentou ligar-lhe 1 vez», ou seja, avisou-me a mim que eu tentei ligar para mim mesmo, o que é simpático, não fosse 'mim' nunca vir a saber que eu tentei ligar-me e perdesse algo importante.
Uns segundos depois, nova mensagem: «O número que tentou contactar já está disponível». Ou seja, era a TMN a avisar-me que eu já estava dispoível e, como tal, já podia ligar para mim mesmo...
Confuso? Pois... certo é que mais do que nunca a TMN tem razão quando diz «onde estiver, está lá». E não é que estava?
Claro que apareceu o sinal de impedido (foi aqui que dei pelo erro) e até aqui tudo bem.
Uns segundos depois, a TMN mandou-me uma mensagem a avisar que aquele número «tentou ligar-lhe 1 vez», ou seja, avisou-me a mim que eu tentei ligar para mim mesmo, o que é simpático, não fosse 'mim' nunca vir a saber que eu tentei ligar-me e perdesse algo importante.
Uns segundos depois, nova mensagem: «O número que tentou contactar já está disponível». Ou seja, era a TMN a avisar-me que eu já estava dispoível e, como tal, já podia ligar para mim mesmo...
Confuso? Pois... certo é que mais do que nunca a TMN tem razão quando diz «onde estiver, está lá». E não é que estava?
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Sugestões
Sugestão de leitura
Vou a passar pela montra de uma livraria e reparo com um livro sugestivo: «Como conseguir tudo o que quer sem gastar dinheiro».
Se calhar sou eu que estou a ver mal a coisa, mas em certos países isso chama-se «gamar» e dá direito a um outro livro: «Como ocupar o seu tempo livre quando o sol se vê aos quadradinhos...»
Sugestão de decoração
Leio agora numa revista que a Ana Sofia vai abrir uma loje de decoração online. Quem é a Ana Sofia? Pois, parece que foi namorada do Djaló e é detentora de especiais atributos, o que só lhe fica bem, diga-se.
Diz a Ana Sofia que vai a casa das pessoas, faz um projecto em 3D e se o cliente gostar, compra.
Amiga Ana Sofia, duas coisas:
- Cuidado com as expressões que usa, porque os homens têm mentes depravadas e não comece logo a dizer que vai a casa das pessoas e faz logo um projecto 3D... Já devia saber como são os homens...
- Se decorar com tão bom gosto a casa das pessoas como se decora a si, o sucesso é garantido. Gosto do seu conceito minimalista.
Vou a passar pela montra de uma livraria e reparo com um livro sugestivo: «Como conseguir tudo o que quer sem gastar dinheiro».
Se calhar sou eu que estou a ver mal a coisa, mas em certos países isso chama-se «gamar» e dá direito a um outro livro: «Como ocupar o seu tempo livre quando o sol se vê aos quadradinhos...»
Sugestão de decoração
Leio agora numa revista que a Ana Sofia vai abrir uma loje de decoração online. Quem é a Ana Sofia? Pois, parece que foi namorada do Djaló e é detentora de especiais atributos, o que só lhe fica bem, diga-se.
Diz a Ana Sofia que vai a casa das pessoas, faz um projecto em 3D e se o cliente gostar, compra.
Amiga Ana Sofia, duas coisas:
- Cuidado com as expressões que usa, porque os homens têm mentes depravadas e não comece logo a dizer que vai a casa das pessoas e faz logo um projecto 3D... Já devia saber como são os homens...
- Se decorar com tão bom gosto a casa das pessoas como se decora a si, o sucesso é garantido. Gosto do seu conceito minimalista.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Fui apanhado nas escutas!
Meus amigos, o semanário SOL vai divulgar mais algumas escutas do caso já conhecido como O Polvo à Lagareiro, já que quem se mete nesta confusão parece assar em azeite a ferver, o que não deve ser agradável...
Este blog consegue antecipar o teor destas bombásticas escutas entre o nosso primeiro e um internacionalmente famoso bloguista:
- Está lá, quem fala?
- Sou eu, o primeiro...
- O primeiro a quê?
- O primeiro, bolas...
- A sério?!!!! A que devo tal assombração?
- ...---...
- Caíu alguma coisa, senhor primeiro?
- ...---...
- Está lá?
- Bolas, homem, você não percebe código morse?
- Porque carga de água haveria de falar em morse consigo, senhor primeiro?
- Nunca ouviu falar das escutas?
- Eu ouvir, já ouvi. E olhe que fiquei chateado, senhor primeiro...
- Chateado? Porquê?
- Porquê? Então, no meu blog eu passo a vida a gozar consigo, desanco-o de alto a baixo e não há uma única PT que abra os cordões à bolsa para comprar o Rio, Logo Existo? Nem um milhãozinho só para início de conversa?
- Meu caro amigo, lhe garanto que não tenho nenhum conhecimento formal do seu blog... Mas, já agora, era precisamente por causa do seu blog que estava a ligar...
- Estava a ver que nunca mais, já me sentia descriminado... Que tal convidar-me para um pequeno almoço?
- E porquê pequeno almoço?
- Pelo que tenho lido, senhor primeiro, o partido paga bem a quem tome o pequeno almoço consigo... Por metade eu aceito... Um lugar na administração de uma grande empresa também está certo. Posso não acrescentar nada a essa empresa, mas aí era como outros e pelo menos eu sempre iria tentar divertir as pessoas dessa empresa... E elas, bem dispostas, sempre rendiam mais....
- Você não dá ponto sem nó... No fundo, eu só gostava que você me conhecesse um pouco melhor e entendesse que eu sou uma pessoa pacífica, bem intencionada, que respeita os jornalistas e que gosto tanto do seu blog e do seu sentido de humor que eu acho que a direcção que está a tomar não faz jus ao seu talento...
- ..-. --- -.. .- ... .!!!!!!!!
ps1- Este meu texto foi lido, corrigido e relido pelos meus advogados, que me pediram que utilizasse a palavra 'primeiro' em vez de estar a escrever José Sócrates...
ps2 - Foi-me ainda pedido que escrevesse que qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.
Infelizmente é, porque nem pequenos almoços nem lugares em empresas públicas a ganhar milhões...
ps3 - Estou a exagerar nos 'ps' por motivos óbvios... Só não sei quais são...
ps4 - Já chega, não acham?
Este blog consegue antecipar o teor destas bombásticas escutas entre o nosso primeiro e um internacionalmente famoso bloguista:
- Está lá, quem fala?
- Sou eu, o primeiro...
- O primeiro a quê?
- O primeiro, bolas...
- A sério?!!!! A que devo tal assombração?
- ...---...
- Caíu alguma coisa, senhor primeiro?
- ...---...
- Está lá?
- Bolas, homem, você não percebe código morse?
- Porque carga de água haveria de falar em morse consigo, senhor primeiro?
- Nunca ouviu falar das escutas?
- Eu ouvir, já ouvi. E olhe que fiquei chateado, senhor primeiro...
- Chateado? Porquê?
- Porquê? Então, no meu blog eu passo a vida a gozar consigo, desanco-o de alto a baixo e não há uma única PT que abra os cordões à bolsa para comprar o Rio, Logo Existo? Nem um milhãozinho só para início de conversa?
- Meu caro amigo, lhe garanto que não tenho nenhum conhecimento formal do seu blog... Mas, já agora, era precisamente por causa do seu blog que estava a ligar...
- Estava a ver que nunca mais, já me sentia descriminado... Que tal convidar-me para um pequeno almoço?
- E porquê pequeno almoço?
- Pelo que tenho lido, senhor primeiro, o partido paga bem a quem tome o pequeno almoço consigo... Por metade eu aceito... Um lugar na administração de uma grande empresa também está certo. Posso não acrescentar nada a essa empresa, mas aí era como outros e pelo menos eu sempre iria tentar divertir as pessoas dessa empresa... E elas, bem dispostas, sempre rendiam mais....
- Você não dá ponto sem nó... No fundo, eu só gostava que você me conhecesse um pouco melhor e entendesse que eu sou uma pessoa pacífica, bem intencionada, que respeita os jornalistas e que gosto tanto do seu blog e do seu sentido de humor que eu acho que a direcção que está a tomar não faz jus ao seu talento...
- ..-. --- -.. .- ... .!!!!!!!!
ps1- Este meu texto foi lido, corrigido e relido pelos meus advogados, que me pediram que utilizasse a palavra 'primeiro' em vez de estar a escrever José Sócrates...
ps2 - Foi-me ainda pedido que escrevesse que qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.
Infelizmente é, porque nem pequenos almoços nem lugares em empresas públicas a ganhar milhões...
ps3 - Estou a exagerar nos 'ps' por motivos óbvios... Só não sei quais são...
ps4 - Já chega, não acham?
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Grande Mestre Badio
Admiro a insistência do 'Grande Mestre Badio', que de vez em quando deixa, ou alguém por ele, um papelinho no parabrisas do meu automóvel a 'oferecer' os seus inestimáveis préstimos para resolver todos os meus problemas.
Senhor Badio, eu não quero que resolva todos os meus problemas, caso contrário a vida não tinha sal. Quero ser eu a resolvê-los.
Diz Vossa Excelência que resolve problemas e falo apenas de alguns exemplos:
«Casamento» - Pois eu tenho duas maneiras de o resolver: chamam-se «casar» e «divorciar». E fica resolvido.
«Dinheiro» - Também tenho dois remédios: «ou se tem» ou se «não tem». E gosto daquela máxima de «quem não tem dinheiro não tem vícios».
«Aproxima e afasta as pessoas» - Muito simples: para aproximar é dizer que se tem muito dinheiro, para afastar é dizer a verdade na cara das pessoas. É tiro e queda...
«Saúde» - Não ligar patavina para o que o grande mestre promete é revelador de uma boa saúde... mental.
«Maus olhados» - Como só me afecta quem eu deixo, conheço um escudo infalível para mostrar a quem nos lança maus olhados. É uma mão, com o dedo do meio bem esticado e os outros aninhados...
Fiz-me entender, 'Grande Mestre Badio'?
Senhor Badio, eu não quero que resolva todos os meus problemas, caso contrário a vida não tinha sal. Quero ser eu a resolvê-los.
Diz Vossa Excelência que resolve problemas e falo apenas de alguns exemplos:
«Casamento» - Pois eu tenho duas maneiras de o resolver: chamam-se «casar» e «divorciar». E fica resolvido.
«Dinheiro» - Também tenho dois remédios: «ou se tem» ou se «não tem». E gosto daquela máxima de «quem não tem dinheiro não tem vícios».
«Aproxima e afasta as pessoas» - Muito simples: para aproximar é dizer que se tem muito dinheiro, para afastar é dizer a verdade na cara das pessoas. É tiro e queda...
«Saúde» - Não ligar patavina para o que o grande mestre promete é revelador de uma boa saúde... mental.
«Maus olhados» - Como só me afecta quem eu deixo, conheço um escudo infalível para mostrar a quem nos lança maus olhados. É uma mão, com o dedo do meio bem esticado e os outros aninhados...
Fiz-me entender, 'Grande Mestre Badio'?
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Sandades de Luanda
Primeiro estranha-se, depois entranha-se. Assim se pode falar um pouco de Luanda, onde estive um mês a fazer a cobertura do campeonato africano das nações.
Para já, cheguei e tive a satisfação de verificar que bastavam sete horas de avião para passar de cinco graus centígrados para 30. É estranho estar num sítio em mangas de camisa e calções e estar a ver na televisão o meus país coberto de neve. E sorri. Principalmente quando mergulhei nas águas quentes de Luanda.
Outra das coisas que me fez muito bem foi o trânsito em Luanda. Meus amigos, o IC19, a segunda circular e o acesso à Ponte 25 de Abril, em hora de ponta, é... trânsito em alta velocidade em Luanda. Cheguei a demorar duas horas e meia para fazer oito quilómetros, logo... Para mais, se o Presidente sai do palácio, muitas ruas são cortadas e começamos a perceber como se sente um frango no forno, principalmente se o ar condicionado não funciona.
O nosso motorista é um ás do volante. Leva-nos por musseques que fazem da Cova da Moura um resort de luxo só para ganharmos tempo. O Jeep salta como se estivesse num trampolim, tais os buracos. E o cheiro de algumas ruelas fazem do rio Trancão, nos bons tempos, um Chanel n.º 5... Mas o engraçado é que vemos gente que não intimida, muitas crianças a brincar e muitos sorrisos. Está-se bem.
Em Luanda a lagosta pode custar o mesmo que um... bitoque. Ou seja, o bitoque é... caro... Uma refeição que não me fica a menos de 50/60 dólares e sem extravagâncias. Vale que se come com a Baia de Luanda em pano de fundo, ou o Atlântico a banhar-me os pés. Provei uma coisa que se chama Calulu. Delicioso. Não me peçam para explicar como é...
Em Luanda os miúdos tocavam-me a medo. «Tens a pele muito fraca», diziam-me. Tocar num branquinho como eu, se bem que a entrar já para o lagosta, era uma descoberta. De facto, a pele deles é bem mais rígida, a minha mais flácida. Foi engraçado, senti-me ave rara que eles queriam tocar.
Em Luanda tudo se vende na rua. Até... sanitas. Ou pneus... Ou sofás em pele, em cima de ruas de... terra batida. Mas tem piada regatear, fazer-se difícil. Há automobilistas que compram o que precisam sem sair do carro. E os miúdos entragam a mercadoria, recebem o dinheiro 50 metros à frente e dão o troco mais à frente, sempre a correr. Estão em grande forma.
Aos poucos, Luanda ganha piada. Tem de tudo, é um mundo. Senti-me seguro. Comi bem, esquecendo o preço das coisas. Entrei por um musseque dentro para comer um excelente Calulu, que me soube tão bem, com vista para a Baía e uns miúdos a pescar à linha, com anzol, mas sem isco. Que perícia.
E se é verdade que encontrei gente que odeia portugueses e que por mandarem numa sala pensam que são presidentes, a maioria das pessoas que encontrei foram afáveis e alegres.
Incrível o ambiente no estádio sempre que a selecção de Angola jogava. Quase a rebentar os tímpanos, tal a festa que se fazia. Haja imaginação para apoiar a selecção, com todo o tipo de adereços.
Chego a Portugal e estão 10 graus. Qua saudades dos 30 de Luanda e das águas quentes para um mergulho. Nunca mais me queixo do trânsito do IC 19.
Viver em Luanda é duro, o tempo tem o seu próprio tempo e nem adianta querer fazer mais do que uma coisa por dia. O trânsito é louco, os horários não são para se cumprir. Há pobreza e riqueza lado a lado. Mas uma pobreza que os abgolanos tornam digna, recorrendo aos biscates e à imaginação para garantirem o pão nosso de cada dia. Mas sente-se que é um país a crescer, em movimento, onde sempre acontecem coisas. Às vezes, neste Portugal, sente-se uma certa claustrofobia, águas paradas e ausência de perspectivas. Tenho pena, porque amo este País. Como gostei muito de Angola. Porque lá, cada vitória sai-nos mesmo do pelo e essas são as vitórias que são mais saborosas. Chego cansado, mas chego bem.
Para já, cheguei e tive a satisfação de verificar que bastavam sete horas de avião para passar de cinco graus centígrados para 30. É estranho estar num sítio em mangas de camisa e calções e estar a ver na televisão o meus país coberto de neve. E sorri. Principalmente quando mergulhei nas águas quentes de Luanda.
Outra das coisas que me fez muito bem foi o trânsito em Luanda. Meus amigos, o IC19, a segunda circular e o acesso à Ponte 25 de Abril, em hora de ponta, é... trânsito em alta velocidade em Luanda. Cheguei a demorar duas horas e meia para fazer oito quilómetros, logo... Para mais, se o Presidente sai do palácio, muitas ruas são cortadas e começamos a perceber como se sente um frango no forno, principalmente se o ar condicionado não funciona.
O nosso motorista é um ás do volante. Leva-nos por musseques que fazem da Cova da Moura um resort de luxo só para ganharmos tempo. O Jeep salta como se estivesse num trampolim, tais os buracos. E o cheiro de algumas ruelas fazem do rio Trancão, nos bons tempos, um Chanel n.º 5... Mas o engraçado é que vemos gente que não intimida, muitas crianças a brincar e muitos sorrisos. Está-se bem.
Em Luanda a lagosta pode custar o mesmo que um... bitoque. Ou seja, o bitoque é... caro... Uma refeição que não me fica a menos de 50/60 dólares e sem extravagâncias. Vale que se come com a Baia de Luanda em pano de fundo, ou o Atlântico a banhar-me os pés. Provei uma coisa que se chama Calulu. Delicioso. Não me peçam para explicar como é...
Em Luanda os miúdos tocavam-me a medo. «Tens a pele muito fraca», diziam-me. Tocar num branquinho como eu, se bem que a entrar já para o lagosta, era uma descoberta. De facto, a pele deles é bem mais rígida, a minha mais flácida. Foi engraçado, senti-me ave rara que eles queriam tocar.
Em Luanda tudo se vende na rua. Até... sanitas. Ou pneus... Ou sofás em pele, em cima de ruas de... terra batida. Mas tem piada regatear, fazer-se difícil. Há automobilistas que compram o que precisam sem sair do carro. E os miúdos entragam a mercadoria, recebem o dinheiro 50 metros à frente e dão o troco mais à frente, sempre a correr. Estão em grande forma.
Aos poucos, Luanda ganha piada. Tem de tudo, é um mundo. Senti-me seguro. Comi bem, esquecendo o preço das coisas. Entrei por um musseque dentro para comer um excelente Calulu, que me soube tão bem, com vista para a Baía e uns miúdos a pescar à linha, com anzol, mas sem isco. Que perícia.
E se é verdade que encontrei gente que odeia portugueses e que por mandarem numa sala pensam que são presidentes, a maioria das pessoas que encontrei foram afáveis e alegres.
Incrível o ambiente no estádio sempre que a selecção de Angola jogava. Quase a rebentar os tímpanos, tal a festa que se fazia. Haja imaginação para apoiar a selecção, com todo o tipo de adereços.
Chego a Portugal e estão 10 graus. Qua saudades dos 30 de Luanda e das águas quentes para um mergulho. Nunca mais me queixo do trânsito do IC 19.
Viver em Luanda é duro, o tempo tem o seu próprio tempo e nem adianta querer fazer mais do que uma coisa por dia. O trânsito é louco, os horários não são para se cumprir. Há pobreza e riqueza lado a lado. Mas uma pobreza que os abgolanos tornam digna, recorrendo aos biscates e à imaginação para garantirem o pão nosso de cada dia. Mas sente-se que é um país a crescer, em movimento, onde sempre acontecem coisas. Às vezes, neste Portugal, sente-se uma certa claustrofobia, águas paradas e ausência de perspectivas. Tenho pena, porque amo este País. Como gostei muito de Angola. Porque lá, cada vitória sai-nos mesmo do pelo e essas são as vitórias que são mais saborosas. Chego cansado, mas chego bem.
sábado, 23 de janeiro de 2010
malembe, malembe
Nem acredito que consegui dez minutinhos com internet para vos dar conta da minha ausência. Estou em Angola a fazer a cobertura do Campeonato Africano das Nações, a um ritmo naturalmente acelerado, com internet apenas à noite quando envio o serviço e sem tempo para manter este blog actualizado.
Regresso na primeira semana de Fevereiro para vos dar conta das minhas aventuras.
Grosso modo, nem sei como isto está a correr. Bem, eu acho. Aqui a expressão um dia de cada vez ganha todo o sentido. Mas entre o stress e alguns momentos de sofrimento, há espaço para descobertas. Para me maravilhar e me surpreender, até para me rir das minhas figurinhas e dos outros.
Uma gargalhada aqui sabe melhor. Uma vitória tem mais significado. E sentimo-nos vivos.
Malembe, Malembe, que é como quem diz, 'com calma, com calma'...
Beijinhos e abraços
Regresso na primeira semana de Fevereiro para vos dar conta das minhas aventuras.
Grosso modo, nem sei como isto está a correr. Bem, eu acho. Aqui a expressão um dia de cada vez ganha todo o sentido. Mas entre o stress e alguns momentos de sofrimento, há espaço para descobertas. Para me maravilhar e me surpreender, até para me rir das minhas figurinhas e dos outros.
Uma gargalhada aqui sabe melhor. Uma vitória tem mais significado. E sentimo-nos vivos.
Malembe, Malembe, que é como quem diz, 'com calma, com calma'...
Beijinhos e abraços
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
A compra dos por cento
E eu a pensar que o Natal já tinha passado. Mas no último fim-de-semana tive mesmo de ir a um centro comercial e quase fui engolido por tanta gente. Cruzes.
Pelo que pude perceber, o mais engraçado é que as pessoas andavam todas a comprar a mesma coisa. Pelas conversas que ouvia, todos queriam comprar um produto muito na moda por estas alturas e que se chama «por cento»... E quem o conseguia dava mostras de enorme felicidade, como se tivesse encontrado o mapa do tesouro. Entre amigos era ver quem se gabava mais, tipo quem tinha comprado um automóvel com mais cavalos. Uns tinham comprado o «25 por cento», outros o «50 por cento» e havia até sortudos que garantiam que já tinham conseguido comprar um «70 por cento».
Certo é que os portugueses vão ficar cheios de «por centos» em casa. Nalguns casos, acho que nem interessa que produto é ou se é mesmo necessário. Importante é que seja ... «por cento».
PS - Durante o mês de Janeiro estarei ausente do País, não estranhem se não conseguir tempo para aqui vir. E desejem-me boa sorte, já que vou, além do serviço, numa missão de caça-fantasmas...
Pelo que pude perceber, o mais engraçado é que as pessoas andavam todas a comprar a mesma coisa. Pelas conversas que ouvia, todos queriam comprar um produto muito na moda por estas alturas e que se chama «por cento»... E quem o conseguia dava mostras de enorme felicidade, como se tivesse encontrado o mapa do tesouro. Entre amigos era ver quem se gabava mais, tipo quem tinha comprado um automóvel com mais cavalos. Uns tinham comprado o «25 por cento», outros o «50 por cento» e havia até sortudos que garantiam que já tinham conseguido comprar um «70 por cento».
Certo é que os portugueses vão ficar cheios de «por centos» em casa. Nalguns casos, acho que nem interessa que produto é ou se é mesmo necessário. Importante é que seja ... «por cento».
PS - Durante o mês de Janeiro estarei ausente do País, não estranhem se não conseguir tempo para aqui vir. E desejem-me boa sorte, já que vou, além do serviço, numa missão de caça-fantasmas...
sábado, 26 de dezembro de 2009
Natal em três cenas
Natal1
Acho piada quando os pais fazem um esforço danado para educar os filhos e os avós teimam em contrariar tudo... Isto a propósito do Pai Natal, que desde cedo ensinei aos meus filhos que não existe. Quer dizer, o meu rapaz, de 20 meses, ainda fica a olhar para mim com aquela cara de «que estás para aí dizer, pai, dá-me mas é uma bolacha», mas de pequenino ele tem de saber que o pai natal não existe.
Os meus sogros é que pensam de maneira diferente e toca de se disfarçarem para aparecerem aos netos de vermelho e barbas e um saco de prendas. Eu até me podia chatear, mas não disse nada. Afinal, os meus sogros são gente boa e às vezes temos de fazer as vontades às... crianças. Ainda que tenham mais de 60 anos...
De qualquer forma, não me fiquei. E vinguei-me. Cada vez que a prenda era um brinquedo, eu dizia que tinham sido os avós, os tios, ou os pais a oferecer a prenda; cada vez que era roupa eu dizia que eram as prendas do Pai Natal...
Moral da história: os meus filhos até podem acreditar no pai natal, mas queimei todas as hipóteses de ficarem a gostar dele...
Natal II
Quer dizer, o JC faz anos a 25 de Dezembro e a malta junta-se para assinalar o aniversário na noite de 24; ele é que faz anos e os outros é que recebem as prendas; deitam-se todos tardíssimo e anda tudo com cara de ressaca no dia 25. Se me fizessem isso no meu aniversário era capaz de ficar aborrecido.
Natal III
O meu Natal foi bom, tirando o facto de ter ficado de castigo. É que a minha mulher não achou especial piada que eu e o miúdo tenhamos comido a mousse de chocolate com os dedos e directamente da tigela... Paciência, valeu pela diversão. E pelo bigode do puto. Então quando ele sorria, um espectáculo...
Acho piada quando os pais fazem um esforço danado para educar os filhos e os avós teimam em contrariar tudo... Isto a propósito do Pai Natal, que desde cedo ensinei aos meus filhos que não existe. Quer dizer, o meu rapaz, de 20 meses, ainda fica a olhar para mim com aquela cara de «que estás para aí dizer, pai, dá-me mas é uma bolacha», mas de pequenino ele tem de saber que o pai natal não existe.
Os meus sogros é que pensam de maneira diferente e toca de se disfarçarem para aparecerem aos netos de vermelho e barbas e um saco de prendas. Eu até me podia chatear, mas não disse nada. Afinal, os meus sogros são gente boa e às vezes temos de fazer as vontades às... crianças. Ainda que tenham mais de 60 anos...
De qualquer forma, não me fiquei. E vinguei-me. Cada vez que a prenda era um brinquedo, eu dizia que tinham sido os avós, os tios, ou os pais a oferecer a prenda; cada vez que era roupa eu dizia que eram as prendas do Pai Natal...
Moral da história: os meus filhos até podem acreditar no pai natal, mas queimei todas as hipóteses de ficarem a gostar dele...
Natal II
Quer dizer, o JC faz anos a 25 de Dezembro e a malta junta-se para assinalar o aniversário na noite de 24; ele é que faz anos e os outros é que recebem as prendas; deitam-se todos tardíssimo e anda tudo com cara de ressaca no dia 25. Se me fizessem isso no meu aniversário era capaz de ficar aborrecido.
Natal III
O meu Natal foi bom, tirando o facto de ter ficado de castigo. É que a minha mulher não achou especial piada que eu e o miúdo tenhamos comido a mousse de chocolate com os dedos e directamente da tigela... Paciência, valeu pela diversão. E pelo bigode do puto. Então quando ele sorria, um espectáculo...
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Pai Natal, o maior dos chulos!
Tenho uma especial embirração pelo Pai Natal, que querem... Sempre tive, por isso uma das coisas que hoje agradeço aos meus pais foi nunca me terem impingido essa história de um velho de barbas, gordo, que desce pelas chaminés para deixar as prendas nas casas dos meninos que se portaram bem.
Em primeiro lugar, porque acho que o Pai Natal é elitista, já que só trabalha nos países desenvolvidos e do hemisfério norte. As crianças de África também se portam bem, até mereciam mais e melhores prendas e não me parece que o Paí Natal, com aquelas roupas quentes todas, chegue lá. Morria de calor... E as renas nao se devem dar bem com aquelas temperaturas... E muitas palhoras e barracas nem chaminé têm.
Em segundo lugar, porque o Pai Natal é o maior chulo da história da humanidade. Quer dizer: anda uma pessoa a esfolar-se de trabalho o ano inteiro; a fazer sacrifícios para comprar prendas aos nossos filhos, sobrinhos ou afilhados e depois o Pai Natal é que leva com os louros?
Em primeiro lugar, porque acho que o Pai Natal é elitista, já que só trabalha nos países desenvolvidos e do hemisfério norte. As crianças de África também se portam bem, até mereciam mais e melhores prendas e não me parece que o Paí Natal, com aquelas roupas quentes todas, chegue lá. Morria de calor... E as renas nao se devem dar bem com aquelas temperaturas... E muitas palhoras e barracas nem chaminé têm.
Em segundo lugar, porque o Pai Natal é o maior chulo da história da humanidade. Quer dizer: anda uma pessoa a esfolar-se de trabalho o ano inteiro; a fazer sacrifícios para comprar prendas aos nossos filhos, sobrinhos ou afilhados e depois o Pai Natal é que leva com os louros?
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Tectos a cair, terramotos e eu a cantar
Take 1 - Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009
Estou no Forum Algarve. Vou fazer umas compras e almoço tranquilamente. Saio do restaurante e dirijo-me à saída para ir buscar o automóvel. Nem estranho que estejam pessoas aflitas a andar depressa na minha direcção e a passarem por mim. Eu continuo em frente e sou barrado por dois seguranças que me mandam sair depressa. Ainda perguntei algo, mas eles disseram apenas para eu sair.
Saí, contrariado, porque tive de ir dar uma grande volta. Saio do parque de estacionamento e vejo chegar dois carros dos bombeiros e duas ambulâncias. Finalmente pensei: tu queres ver que se passa alguma coisa? Mais tarde vi na televisão que parte de um tecto do Forum caiu. Trinta metros à minha frente. Felizmente só houve um ferido.
Take II - Já madrugada de 17 de Dezembro de 2009
Fui com uns amigos ao Karaoke. Lá me convencvem a cantar. Escolho a 'Moda das Tranças Pretas'. Começo a cantar. Acho que estou a dar show a avaliar pela cara de pasmo de muitas pessoas. Batem palmas no fim.
Um dos companheiros de jornada afirmou: «Gabo a tua serenidade para continuares a cantar em pleno tremor de terra...» Ao que respondo: «Qual tremor de terra?». Hoje vejo as notícias a parece que a terra tremeu e se sentiu em grande parte do País...
Take III Dia 17 de Dezembro de 2009, já bem almoçado
Acho melhor fazer como o George Clooney, comprar uma máquina Nespresso e andar sempre com ela na mão. Com esta minha capacidade de avaliar o que acontece à minha volta, ainda me cai mesmo um piano em cima... Será que resulta?
Estou no Forum Algarve. Vou fazer umas compras e almoço tranquilamente. Saio do restaurante e dirijo-me à saída para ir buscar o automóvel. Nem estranho que estejam pessoas aflitas a andar depressa na minha direcção e a passarem por mim. Eu continuo em frente e sou barrado por dois seguranças que me mandam sair depressa. Ainda perguntei algo, mas eles disseram apenas para eu sair.
Saí, contrariado, porque tive de ir dar uma grande volta. Saio do parque de estacionamento e vejo chegar dois carros dos bombeiros e duas ambulâncias. Finalmente pensei: tu queres ver que se passa alguma coisa? Mais tarde vi na televisão que parte de um tecto do Forum caiu. Trinta metros à minha frente. Felizmente só houve um ferido.
Take II - Já madrugada de 17 de Dezembro de 2009
Fui com uns amigos ao Karaoke. Lá me convencvem a cantar. Escolho a 'Moda das Tranças Pretas'. Começo a cantar. Acho que estou a dar show a avaliar pela cara de pasmo de muitas pessoas. Batem palmas no fim.
Um dos companheiros de jornada afirmou: «Gabo a tua serenidade para continuares a cantar em pleno tremor de terra...» Ao que respondo: «Qual tremor de terra?». Hoje vejo as notícias a parece que a terra tremeu e se sentiu em grande parte do País...
Take III Dia 17 de Dezembro de 2009, já bem almoçado
Acho melhor fazer como o George Clooney, comprar uma máquina Nespresso e andar sempre com ela na mão. Com esta minha capacidade de avaliar o que acontece à minha volta, ainda me cai mesmo um piano em cima... Será que resulta?
domingo, 13 de dezembro de 2009
prendas originais (IV)
Face ao sucesso nacional e internacional* que esta secção teve o ano passado, volto às sugestões de prendas de natal. Para quem está com falta de ideias, aqui vão algumas, pode ser que ajude:
1 - Eis um isqueiro deveras original para ofrecer a alguém que tenha, digamos, personalidade forte...
2 - Uma T'shirt com muito sentido de humor para oferecer a alguém que pensa mesmo que o George Clooney morre de inveja da beleza dele...
3 - Ainda estou aqui a pensar em como classificar esta cadeira, de coleçcão, assinada por Allen Jones em 1969...
4 - Uma caixa de chocolates pode não ser muito original para oferecer no Natal. Mas se pensarmos que esta custa... 1,5 milhões de dólares!!! Pois, os diamantes fazem a diferença... E, em termos de marketing, é brilhante: tem mais impacto oferecer uma caixa de chocolates que custa 1,5 milhões de dólares do que diamantes com uma caixa de chocolates atrás...
* Espero que ninguém tenha acreditado que estas minhas sugestões tiveram no último ano grande sucesso internacional... Para ser franco, nem nacional...
1 - Eis um isqueiro deveras original para ofrecer a alguém que tenha, digamos, personalidade forte...
2 - Uma T'shirt com muito sentido de humor para oferecer a alguém que pensa mesmo que o George Clooney morre de inveja da beleza dele...
3 - Ainda estou aqui a pensar em como classificar esta cadeira, de coleçcão, assinada por Allen Jones em 1969...
4 - Uma caixa de chocolates pode não ser muito original para oferecer no Natal. Mas se pensarmos que esta custa... 1,5 milhões de dólares!!! Pois, os diamantes fazem a diferença... E, em termos de marketing, é brilhante: tem mais impacto oferecer uma caixa de chocolates que custa 1,5 milhões de dólares do que diamantes com uma caixa de chocolates atrás...
* Espero que ninguém tenha acreditado que estas minhas sugestões tiveram no último ano grande sucesso internacional... Para ser franco, nem nacional...
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