quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Grande Mestre Badio

Admiro a insistência do 'Grande Mestre Badio', que de vez em quando deixa, ou alguém por ele, um papelinho no parabrisas do meu automóvel a 'oferecer' os seus inestimáveis préstimos para resolver todos os meus problemas.

Senhor Badio, eu não quero que resolva todos os meus problemas, caso contrário a vida não tinha sal. Quero ser eu a resolvê-los.

Diz Vossa Excelência que resolve problemas e falo apenas de alguns exemplos:

«Casamento» - Pois eu tenho duas maneiras de o resolver: chamam-se «casar» e «divorciar». E fica resolvido.

«Dinheiro» - Também tenho dois remédios: «ou se tem» ou se «não tem». E gosto daquela máxima de «quem não tem dinheiro não tem vícios».

«Aproxima e afasta as pessoas» - Muito simples: para aproximar é dizer que se tem muito dinheiro, para afastar é dizer a verdade na cara das pessoas. É tiro e queda...

«Saúde» - Não ligar patavina para o que o grande mestre promete é revelador de uma boa saúde... mental.

«Maus olhados» - Como só me afecta quem eu deixo, conheço um escudo infalível para mostrar a quem nos lança maus olhados. É uma mão, com o dedo do meio bem esticado e os outros aninhados...

Fiz-me entender, 'Grande Mestre Badio'?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sandades de Luanda

Primeiro estranha-se, depois entranha-se. Assim se pode falar um pouco de Luanda, onde estive um mês a fazer a cobertura do campeonato africano das nações.

Para já, cheguei e tive a satisfação de verificar que bastavam sete horas de avião para passar de cinco graus centígrados para 30. É estranho estar num sítio em mangas de camisa e calções e estar a ver na televisão o meus país coberto de neve. E sorri. Principalmente quando mergulhei nas águas quentes de Luanda.

Outra das coisas que me fez muito bem foi o trânsito em Luanda. Meus amigos, o IC19, a segunda circular e o acesso à Ponte 25 de Abril, em hora de ponta, é... trânsito em alta velocidade em Luanda. Cheguei a demorar duas horas e meia para fazer oito quilómetros, logo... Para mais, se o Presidente sai do palácio, muitas ruas são cortadas e começamos a perceber como se sente um frango no forno, principalmente se o ar condicionado não funciona.

O nosso motorista é um ás do volante. Leva-nos por musseques que fazem da Cova da Moura um resort de luxo só para ganharmos tempo. O Jeep salta como se estivesse num trampolim, tais os buracos. E o cheiro de algumas ruelas fazem do rio Trancão, nos bons tempos, um Chanel n.º 5... Mas o engraçado é que vemos gente que não intimida, muitas crianças a brincar e muitos sorrisos. Está-se bem.

Em Luanda a lagosta pode custar o mesmo que um... bitoque. Ou seja, o bitoque é... caro... Uma refeição que não me fica a menos de 50/60 dólares e sem extravagâncias. Vale que se come com a Baia de Luanda em pano de fundo, ou o Atlântico a banhar-me os pés. Provei uma coisa que se chama Calulu. Delicioso. Não me peçam para explicar como é...

Em Luanda os miúdos tocavam-me a medo. «Tens a pele muito fraca», diziam-me. Tocar num branquinho como eu, se bem que a entrar já para o lagosta, era uma descoberta. De facto, a pele deles é bem mais rígida, a minha mais flácida. Foi engraçado, senti-me ave rara que eles queriam tocar.

Em Luanda tudo se vende na rua. Até... sanitas. Ou pneus... Ou sofás em pele, em cima de ruas de... terra batida. Mas tem piada regatear, fazer-se difícil. Há automobilistas que compram o que precisam sem sair do carro. E os miúdos entragam a mercadoria, recebem o dinheiro 50 metros à frente e dão o troco mais à frente, sempre a correr. Estão em grande forma.

Aos poucos, Luanda ganha piada. Tem de tudo, é um mundo. Senti-me seguro. Comi bem, esquecendo o preço das coisas. Entrei por um musseque dentro para comer um excelente Calulu, que me soube tão bem, com vista para a Baía e uns miúdos a pescar à linha, com anzol, mas sem isco. Que perícia.

E se é verdade que encontrei gente que odeia portugueses e que por mandarem numa sala pensam que são presidentes, a maioria das pessoas que encontrei foram afáveis e alegres.

Incrível o ambiente no estádio sempre que a selecção de Angola jogava. Quase a rebentar os tímpanos, tal a festa que se fazia. Haja imaginação para apoiar a selecção, com todo o tipo de adereços.

Chego a Portugal e estão 10 graus. Qua saudades dos 30 de Luanda e das águas quentes para um mergulho. Nunca mais me queixo do trânsito do IC 19.

Viver em Luanda é duro, o tempo tem o seu próprio tempo e nem adianta querer fazer mais do que uma coisa por dia. O trânsito é louco, os horários não são para se cumprir. Há pobreza e riqueza lado a lado. Mas uma pobreza que os abgolanos tornam digna, recorrendo aos biscates e à imaginação para garantirem o pão nosso de cada dia. Mas sente-se que é um país a crescer, em movimento, onde sempre acontecem coisas. Às vezes, neste Portugal, sente-se uma certa claustrofobia, águas paradas e ausência de perspectivas. Tenho pena, porque amo este País. Como gostei muito de Angola. Porque lá, cada vitória sai-nos mesmo do pelo e essas são as vitórias que são mais saborosas. Chego cansado, mas chego bem.

sábado, 23 de janeiro de 2010

malembe, malembe

Nem acredito que consegui dez minutinhos com internet para vos dar conta da minha ausência. Estou em Angola a fazer a cobertura do Campeonato Africano das Nações, a um ritmo naturalmente acelerado, com internet apenas à noite quando envio o serviço e sem tempo para manter este blog actualizado.

Regresso na primeira semana de Fevereiro para vos dar conta das minhas aventuras.

Grosso modo, nem sei como isto está a correr. Bem, eu acho. Aqui a expressão um dia de cada vez ganha todo o sentido. Mas entre o stress e alguns momentos de sofrimento, há espaço para descobertas. Para me maravilhar e me surpreender, até para me rir das minhas figurinhas e dos outros.

Uma gargalhada aqui sabe melhor. Uma vitória tem mais significado. E sentimo-nos vivos.

Malembe, Malembe, que é como quem diz, 'com calma, com calma'...

Beijinhos e abraços

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A compra dos por cento

E eu a pensar que o Natal já tinha passado. Mas no último fim-de-semana tive mesmo de ir a um centro comercial e quase fui engolido por tanta gente. Cruzes.

Pelo que pude perceber, o mais engraçado é que as pessoas andavam todas a comprar a mesma coisa. Pelas conversas que ouvia, todos queriam comprar um produto muito na moda por estas alturas e que se chama «por cento»... E quem o conseguia dava mostras de enorme felicidade, como se tivesse encontrado o mapa do tesouro. Entre amigos era ver quem se gabava mais, tipo quem tinha comprado um automóvel com mais cavalos. Uns tinham comprado o «25 por cento», outros o «50 por cento» e havia até sortudos que garantiam que já tinham conseguido comprar um «70 por cento».

Certo é que os portugueses vão ficar cheios de «por centos» em casa. Nalguns casos, acho que nem interessa que produto é ou se é mesmo necessário. Importante é que seja ... «por cento».

PS - Durante o mês de Janeiro estarei ausente do País, não estranhem se não conseguir tempo para aqui vir. E desejem-me boa sorte, já que vou, além do serviço, numa missão de caça-fantasmas...

sábado, 26 de dezembro de 2009

Natal em três cenas

Natal1

Acho piada quando os pais fazem um esforço danado para educar os filhos e os avós teimam em contrariar tudo... Isto a propósito do Pai Natal, que desde cedo ensinei aos meus filhos que não existe. Quer dizer, o meu rapaz, de 20 meses, ainda fica a olhar para mim com aquela cara de «que estás para aí dizer, pai, dá-me mas é uma bolacha», mas de pequenino ele tem de saber que o pai natal não existe.

Os meus sogros é que pensam de maneira diferente e toca de se disfarçarem para aparecerem aos netos de vermelho e barbas e um saco de prendas. Eu até me podia chatear, mas não disse nada. Afinal, os meus sogros são gente boa e às vezes temos de fazer as vontades às... crianças. Ainda que tenham mais de 60 anos...

De qualquer forma, não me fiquei. E vinguei-me. Cada vez que a prenda era um brinquedo, eu dizia que tinham sido os avós, os tios, ou os pais a oferecer a prenda; cada vez que era roupa eu dizia que eram as prendas do Pai Natal...
Moral da história: os meus filhos até podem acreditar no pai natal, mas queimei todas as hipóteses de ficarem a gostar dele...

Natal II

Quer dizer, o JC faz anos a 25 de Dezembro e a malta junta-se para assinalar o aniversário na noite de 24; ele é que faz anos e os outros é que recebem as prendas; deitam-se todos tardíssimo e anda tudo com cara de ressaca no dia 25. Se me fizessem isso no meu aniversário era capaz de ficar aborrecido.


Natal III

O meu Natal foi bom, tirando o facto de ter ficado de castigo. É que a minha mulher não achou especial piada que eu e o miúdo tenhamos comido a mousse de chocolate com os dedos e directamente da tigela... Paciência, valeu pela diversão. E pelo bigode do puto. Então quando ele sorria, um espectáculo...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Pai Natal, o maior dos chulos!


Tenho uma especial embirração pelo Pai Natal, que querem... Sempre tive, por isso uma das coisas que hoje agradeço aos meus pais foi nunca me terem impingido essa história de um velho de barbas, gordo, que desce pelas chaminés para deixar as prendas nas casas dos meninos que se portaram bem.

Em primeiro lugar, porque acho que o Pai Natal é elitista, já que só trabalha nos países desenvolvidos e do hemisfério norte. As crianças de África também se portam bem, até mereciam mais e melhores prendas e não me parece que o Paí Natal, com aquelas roupas quentes todas, chegue lá. Morria de calor... E as renas nao se devem dar bem com aquelas temperaturas... E muitas palhoras e barracas nem chaminé têm.

Em segundo lugar, porque o Pai Natal é o maior chulo da história da humanidade. Quer dizer: anda uma pessoa a esfolar-se de trabalho o ano inteiro; a fazer sacrifícios para comprar prendas aos nossos filhos, sobrinhos ou afilhados e depois o Pai Natal é que leva com os louros?

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Tectos a cair, terramotos e eu a cantar

Take 1 - Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Estou no Forum Algarve. Vou fazer umas compras e almoço tranquilamente. Saio do restaurante e dirijo-me à saída para ir buscar o automóvel. Nem estranho que estejam pessoas aflitas a andar depressa na minha direcção e a passarem por mim. Eu continuo em frente e sou barrado por dois seguranças que me mandam sair depressa. Ainda perguntei algo, mas eles disseram apenas para eu sair.
Saí, contrariado, porque tive de ir dar uma grande volta. Saio do parque de estacionamento e vejo chegar dois carros dos bombeiros e duas ambulâncias. Finalmente pensei: tu queres ver que se passa alguma coisa? Mais tarde vi na televisão que parte de um tecto do Forum caiu. Trinta metros à minha frente. Felizmente só houve um ferido.

Take II - Já madrugada de 17 de Dezembro de 2009

Fui com uns amigos ao Karaoke. Lá me convencvem a cantar. Escolho a 'Moda das Tranças Pretas'. Começo a cantar. Acho que estou a dar show a avaliar pela cara de pasmo de muitas pessoas. Batem palmas no fim.

Um dos companheiros de jornada afirmou: «Gabo a tua serenidade para continuares a cantar em pleno tremor de terra...» Ao que respondo: «Qual tremor de terra?». Hoje vejo as notícias a parece que a terra tremeu e se sentiu em grande parte do País...

Take III Dia 17 de Dezembro de 2009, já bem almoçado

Acho melhor fazer como o George Clooney, comprar uma máquina Nespresso e andar sempre com ela na mão. Com esta minha capacidade de avaliar o que acontece à minha volta, ainda me cai mesmo um piano em cima... Será que resulta?

domingo, 13 de dezembro de 2009

prendas originais (IV)

Face ao sucesso nacional e internacional* que esta secção teve o ano passado, volto às sugestões de prendas de natal. Para quem está com falta de ideias, aqui vão algumas, pode ser que ajude:

1 - Eis um isqueiro deveras original para ofrecer a alguém que tenha, digamos, personalidade forte...



2 - Uma T'shirt com muito sentido de humor para oferecer a alguém que pensa mesmo que o George Clooney morre de inveja da beleza dele...



3 - Ainda estou aqui a pensar em como classificar esta cadeira, de coleçcão, assinada por Allen Jones em 1969...




4 - Uma caixa de chocolates pode não ser muito original para oferecer no Natal. Mas se pensarmos que esta custa... 1,5 milhões de dólares!!! Pois, os diamantes fazem a diferença... E, em termos de marketing, é brilhante: tem mais impacto oferecer uma caixa de chocolates que custa 1,5 milhões de dólares do que diamantes com uma caixa de chocolates atrás...




* Espero que ninguém tenha acreditado que estas minhas sugestões tiveram no último ano grande sucesso internacional... Para ser franco, nem nacional...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

E o cigano sou eu?

Estou à porta do jornal e vejo um homem, cigano, com uma saco na mão a tentar vender casacos de senhora a quem passava na rua.

«Que espectáculo, minha senhora. Se você puser uma pilha até deita fumo...», disse, bem disposto. O mais curioso é que a senhora tentou saber mais pormenores e o homem entusiasmou-se de tal forma que pouco faltou para dizer que o casaco, além de ser útil para o frio, também lavava a loiça, aspirava, limpava o pó e cozinhava. Esticou-se de tal forma que a senhora foi à vida dela sem comprar o casaco.

Eu sorria e ele virou-se para mim:
«Amigo, o cigano dá cada música... Mas tem de ser... Já imaginou o que seria se eu fosse primeiro-ministro?»

Estive mesmo para lhe responder, mas achei-lhe tanta piada que seria cruel estar a estragar-lhe a ilusão...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

SOCORRO

Quem me conhece sabe que passo o dia a cantar. Em casa, na rua, no trabalho. Em casa lá têm de me aturar e desde que o repertório inclua as canções do Panda os meus filhos não protestam. Na rua chamam-me maluquinho, mas eu já não reajo porque é cansativo estar a... agradecer a toda a gente. E não devo cantar mal de todo, porque no trabalho apenas sete minutos depois de começar a cantar é que me mandam calar.

Bem, as coisas estão a mudar um bocadinho e só percebi que algo de errado se estava a passar porque acabei de levar com um cesto de papéis em cima da cabeça e recebi ameaças de ser jogado pela janela fora se continuasse a cantar...

Não sei o que se passa comigo, mas esta canção não me sai da cabeça e já ninguém me suporta ouvir:

«Vem ao Pingo Doce, de Janeiro a Janeiro;
Estou a bater mal, canto isto o dia inteiro;
Estou a ficar bem pior;
a perder o juizinho;
ajudem-me por favor;
ainda dou em doidinho...»


SOCORRO...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Para a próxima fico quieto

Parei numa montra de uma loja de mobiliário. No vidro, um papel: «Por favor, toque à campaínha».

Toquei. Apareceu uma senhora que me mandou entrar e perguntou no que poderia ajudar-me. Ficou com cara de poucos amigos quando lhe disse que não queria nada.

Ela é que pediu, por favor, para tocar à campaínha... É o que dá fazer favores a estranhos...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A arte no feminino



Hoje proponho-vos um exercício de análise comportamental (já viram a classe que dá 'exercício de análise comportamental' para o que, em bom rigor, se deveria designar um delírio apalhaçado?).

O que estão a pensar estes marujos?

a) Gosto mais do azul que do cor-de-rosa.
b) Esperamos que elas não escorreguem e não caiam.
c) Temos de avisar as senhoras para os perigos do cancro da pele
d) Que número calçam estas senhoras?
e) Não sabiamos que existiam sereias...
f) Outra qualquer que já não tenho imaginação para mais...


PS. Falando a sério. Quero lá saber se me chamam machista, mas esta imagem comove-me. Um eterno jogo, quantas vezes ingénuo, homem/mulher, em que estes assumem o papel secundário de se renderem à beleza feminina. Acho que um piropo não faz mal a ninguém. Reparem, se estes marujos passassem por um monumento e abrissem a boca de espanto até eram considerados cultos e apreciadores de arte. Ora, para quem considera o corpo feminino a mais bela forma de arte que existe, porque condenar que um homem abra a boca de espanto? Acreditem que várias vezes eu tenho de ir buscar os queixos ao chão... E ainda bem.