sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Quer um martelo?

Título de primeira página do Jornal de Notícias: "Matou os pais para acabar com violência doméstica". Esta é a história, que também teve destaque nas televisões, de um jovem de Loures que, farto de ver o pai a bater na mãe, cortou o mal pela raiz e, antes de se suicidar, matou os pais à martelada. É por isso que eu acho que é capaz de não ter sido uma ideia muito feliz o Jornal de Notícias colocar mesmo em cima deste título: "Hoje GRÁTIS martelo", com fotografia da ferramenta e tudo...

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Queima de droga

Não percebi tanto interesse mediático com a queima de mais de 11 toneladas de droga ordenada pela PJ. Até se quis saber se havia riscos para a saúde pública e para desgosto de muita gente foi garantido que não. Se a comunicação social está tão interessada no assunto, então deviam imitar este colega e a sua brilhante reportagem sobre queima de droga:

Violência em França

Segundo o jornal Le Monde - dá sempre classe citar um jornal de referência francês - todos os dias são registadas em França uma média de 50 agressões a professores. O que me leva à seguinte pergunta: se os professores forem agredidos no pescoço - e se a minha pronúncia ainda é o que era - pode dizer-se que os alunos vão ao cou aos professores?

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Oferta da DECO

Acabei de receber, no meu correio electrónico, uma mensagem da DECO (Defesa do Consumidor) com o sugestivo título "Oferta". Claro que fui logo ver o que tinha ganho. Uau... Um CD Fiscal Deco Proteste... Mas é mesmo oferecido? Sim, mas por uma questão de cortesia eu também ofereço qualquer coisa à Deco... Ou seja, eu ofereço-lhes 11,99 euros e eles oferecem-me o CD e um desconto de 1,33 euros sobre o preço de capa. Está justo... Ora aí está uma entidade que até defende o consumidor a fazer uma oferta a sério...

Mas a DECO garante que com aquele programa eu preencho os impressos de forma mais fácil e rápida do que quando como um palmier coberto (esta do palmier sou eu a dizer, tal como poderia escolher bola com creme, mil folhas, pastel de nata, bolo de bolacha... etc, etc, que já estou a salivar em cima do teclado...) Mas quem é que disse à DECO que eu quero ser rápido a preencher os impostos? Se é para ir para a forca que esperem por mim que eu não tenho pressa nenhuma...

A Deco até dá um exemplo: "Fiz obras na minha casa de férias. Como deduzir o que gastei?". Perdão?!!!!!!!! Mas este programa é para tesos como eu ou para gente rica? É que quem tem dinheiro para gastar em obras da casa de férias não me parece que se vá dar ao trabalho de comprar o CD. Terá contabilistas ou outros istas que tais para preencher os impressos e inventar maneiras de declarar ainda menos rendimentos do que eu...

A DECO também garante que o programa calcula quanto é que uma pessoa vai pagar ou receber. Primeiro, se preencher os impostos online também posso fazer a simulação e não tenho de estar a trocar prendas com a DECO. Em segundo, não sei se me apetece pagar para receber más notícias de um programa de computador. Tal como nunca pagaria a alguém só para me vir dizer no meio da rua "isto é um assalto"!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Derby memorável

Aumenta a expectativa em relação ao Sporting-Benfica. Eu estou convencido que o espectáculo promete tornar-se memorável e com uma chuva de golos. Com a força que cada um deles está a fazer para não ir à Liga dos Campeões, ainda desatam a marcar golos na própria baliza para ver quem consegue oferecer a vitória a quem.
- «Por favor, senhora águia, faça o favor de se servir», diz o leão.
- «Nem pensar. Vossa excelência é o rei da selva e está em casa, não lhe faria essa desfeita», responde a águia.
- «Por quem sois… Aceitai a minha humilde hospitalidade e marcai os golos de que necessitais…», insiste o leão.
- «Não seria digno de uma águia-real aproveitar-se de um leão ferido…», sublinha a águia num diálogo de simpatias que promete arrastar-se mais umas semanas.

O leão voltou a ser infectado com a gripe das aves. Depois de se ter erradicado a R+1, cujo hospedeiro da doença migrou para Sevilha, chegou agora a variante RP+1. Mas como o hospedeiro ainda é muito jovem, pode ser que, com os medicamentos adequados, seja possível eliminar o vírus…

Uma sugestão para o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira: se quiser trocar de treinador no final da época, escusa de procurar muito. Você já tem na Luz quem possa dar muito bem conta do recado: também é espanhol, está habituado a treinar águias; é dos melhores do mundo na sua missão; e, ao contrário do Camacho, que é assobiado e leva lenços brancos, é sempre o alvo dos maiores aplausos dos benfiquistas. Por isso, eu apoio Juan Bernabé, o treinador da águia Vitória…


PS - Depois de mais um empate em casa do Benfica, aconselho a que oiçam de novo o Fado do Salir a Ganar. Escrito a 5 de Fevereiro, mas ainda tão actual, não é?

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Benfica e Sexo

A RTP lembrou-se hoje de ouvir comentários de Júlio Machado Vaz sobre o futebol do Benfica. A minha primeira reacção foi: que diabo faz um sexólogo a falar sobre o futebol do Benfica? Depois, achei que tinha tudo a ver: o futebol do Benfica vagueia entre o coito interrompido, o sado-masoquismo e a impotência.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

O padre Miguel

De vez em quando vou lendo notícias de pessoas que são internadas nos hospitais e apanham doenças devido a vírus que andam pelo ar. Nos casos mais graves, há mesmo quem morra da cura. Depois, leio notícias sobre a cada vez maior resistência dos vírus aos medicamentos. É nestas alturas que me lembro do padre Miguel, salesiano que conheci quanto fui seminarista, e que morreu com mais de 90 anos. Ele tinha uma filosofia muito particular em matéria de saúde. Mais do que levar à letra, é para sorrirmos e pensarmos.
«Meus caros amigos. Quando estou doente vou ao médico. E pago bem, porque o médico precisa de viver;
Pego na receita e vou comprar os medicamentos, porque o farmacêutico precisa de viver;
Quando chego a casa deito os medicamentos no caixote do lixo, porque eu também preciso de viver...»

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Ora Polis...

1 - As autarquias andaram anos a contribuir para a elaboração do livro "O milhão de coisas que não se devem fazer ou deixar fazer para um bom ordenamento de uma povoação".
2 - Há anos, criou-se o programa POLIS, a que aderiram inúmeras autarquias de norte a sul e que, grosso modo, se propunha a gastar uns milhões para corrigir as borradas urbanísticas do passado.
3 - Eu achei muito bem, mas duas coisas me chocaram: primeiro, as festas que se fizeram para assinalar o arranque do programa. Quer dizer: andaram muitos autarcas a permitir todo o tipo de abortos, iriam gastar-se mais uns milhões e tinham a lata de pedir à população que se juntasse à festa? Em segundo lugar, quem foi o engenheiro que teve a brilhante ideia de colocar em sítio público um relógio gigante e de gosto duvidoso, a cronometrar os dias, as horas, os minutos e até os segundos que faltavam para o final das obras? Se isto não é gozar com o contribuinte, vou alí e já venho. Se há coisa certa em Portugal é que todas as obras têm dois pontos em comum: custam muito mais do que o orçamentado e demoram muito mais do que o previsto.

PS - Senhor presidente da Câmara de Sintra: o relógio POLIS do Cacém já parou há muito e ainda vejo obras por concluir. Faça-nos, ao menos, o favor de retirar aquele relógio gigante. É que cada vez que eu passo lá começo-me a rir e toda a gente sabe que não é bom a gente rir-se enquanto estamos a conduzir.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Vote nas freguesias

Está na hora de inovar e promover a participação dos leitores deste blog. Hoje vamos votar no nome mais original de uma freguesia de Portugal. O mais difícil, e subjectivo, está feito: eleger 20 das 4257 freguesias. À frente de cada freguesia o nome do concelho a quem pertencem. Para votar ou dar outras sugestões, clique na parte dos comentários a este post.

S. Miguel do Rio Torto (Abrantes)
Malpartida (Almeida)
Senhora da Graça de Padrões (Almodôver)
Maças de Dona Maria (Alvaiázere)
Bicos (Odemira)
Torre de Vale de Todos (Ansião)
Rio Cabrão (Arcos de Valdevez)
Gostei (Bragança)
Nossa Senhora da Graça dos Degolados (Campo Maior)
Cantar Galo (Covilhã)
S. Domingos de Ana Loura (Estremoz)
Água de Pau (Lagoa-Açores)
Janeiro de Baixo (Pampilhosa da Serra)
Moura Morta (Peso da Régua)
Póvoa da Isenta (Santarém)
Vila Cova à Coelheira (Seia)
Cabeçudos (Vila Nova de Famalicão)
Sapataria (Sobral de Monte Agraço)
Campo de Víboras (Vimioso)
Barbudo (Vila Verde)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Delírios futebolísticos

Segunda-feira é o dia por excelência para se fazer o balanço do fim-de-semana futebolístico.

Gostei de ouvir Ulisses Morais, treinador da Naval, após a derrota com o Benfica, por 0-2: «Fomos melhores do que o Benfica, pois fomos mais capazes, embora aqui e ali menos competentes e foi isso que deteminou o resultado».
Em primeiro lugar, caro Ulisses Morais, "menos competentes" é um eufemismo e tem direitos de autor (Manuel Machado). Em segundo lugar, se a Naval continuar a ser melhor nos restantes jogos e com o mesmo resultado, ainda se arrisca a ser a equipa mais capaz que eu conheço a descer de divisão. Em terceiro lugar, o seu discurso faz-me lembrar o Ricardo quando estava no Sporting: fazia grandes exibições nos intervalos dos frangos.

Paulo Bento, depois da vitória do Sporting (2-0 ao E. Amadora), também soube analisar o que correu menos bem: «Faltou-nos capacidade para ter a bola». Ainda bem, digo eu. Quando o João Moutinho, ao minuto 17, pegou na redondinha, ficou com tal incapacidade para ter a bola que a despachou logo para a baliza. Para quem viu o lance, sabe do que estou a falar. Golaço!

Manuel Machado classificou a exibição do Sporting de Braga, que perdeu com o V. Setúbal (2-3), como «menos brilhante». Para mais, foi brindado com lenços brancos, o que não lhe retira o ânimo, como deu conta, em exclusivo, ao blog rio, logo existo:
- «Entendo que são legítimas, mas extemporâneas, as manifestações de desagrado dos adeptos da colectividade minhota. O objectivo Europeu mantém-se inalterável, desde que a equipa atinja patamares exibicionais consentâneos com a qualidade intrínseca dos atletas que compõem o seu plantel. Temos de melhorar nas transições e na acutilância que emprestamos às movimentações ofensivas, aumentando os índices de aproveitamento das situações de concretização que sabemos criar. Quanto aos adeptos, preferia o tom de linguagem de Jo Berardo no brilhante sketch do Gato Fedorento...

Alguém viu as cenas do treinador do Nacional, que queria bater no Cajuda depois do Nacional ter vencido o Guimarães (1-0)? Depois de Jokanovic ter dito o mês passado em Guimarães, após ter perdido o jogo, que ele próprio se responsabilizava pelo pagamento do prémio aos seus pupilos se vencessem domingo o V. Guimarães, nada me tira da cabeça que Jakonovic insultou Manuel Cajuda nestes termos:
- «Não se pode confiar em ti... Agora vou ter de pagar os prémios e fico teso até final da próxima época... Tinhas logo de perder de propósito só para me levares à falência... Se te apanho a jeito vais andar mais um meses de perna engessada...

Eufemismos

Mais um fim-de-semana de eufemismos:

«Aqui e ali fomos menos competentes» (Ulisses Morais, treinador da Naval)
Tradução: foram duas barracas nos dois golos do Benfica.

«Foi uma exibição menos brilhante» (Manuel Machado, treinador do Sp. Braga)
Tradução (versão soft): Não jogámos um cacete.

«Não foi brilhantíssmo, mas acabou por seu um jogo inteligente nosso» (Rui Costa)
Tradução: Não jogámos grande coisa, mas vá lá que conseguimos marcar dois golos e aguentámo-nos bem na defesa.

«Não foi a melhor estreia» (Pedro Alves, E. Amadora)
Tradução: Que grande frango!

«Fomos inconsequentes» (José Mota, treinador do P. Ferreira)
Tradução: Não ganhamos jogos a ninguém...

«Foi um resultado inglório» (Domingos, treinador da Académica)
Tradução: como é que não conseguimos ganhar ao P. Ferreira?

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Fotografia de Sócrates



Acho que o primeiro ministro ainda não mediu bem no que se meteu desde que decidiu desmentir com veemência a notícia do Público que dá conta do facto de ter assinado projectos de licenciamento de obras na Guarda, na década de 80, que não foram elaborados por si. Se eu fosse José Sócrates tinha assobiado para o lado e deixava assentar a poeira. É que não há maneira de sair bem na fotografia: depois de ter visto alguns dos projectos que assinou e ter lido considerações de especialistas, se alguma investigação chegar a bom porto arrisca-se a uma de duas sentenças: ou faltou à verdade ou revelou inépcia na elaboração dos projectos (hoje deu-me para os eufemismos. Acho piada).
Como José Sócrates até é primeiro ministro, assusta-me mais a possibilidade de ter sido ele a assinar todos os projectos. Se estiver a mentir não é grave. Não me surpreende. Há muito rasguei (como ele) o programa e as promessas eleitorais antes das eleições. A questão da competência é que, realmente, mais me preocupa.